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Maceió, Alagoas, Brazil
Bancário Aposentado, Escritor, Poeta, Administrador de Empresas, MBA em Negócios em Financeiros, Pós-Graduado em Gestão de Instituições do Ensino Superior, Especializado em Diálogo, Capacitação Locução e Apresentação de Rádio e Televisão. Militante do PCdoB.

Java

Dinheiro no jardim

       Certa feita, no carnaval de 1998, estávamos nós, eu e minha família, passando o carnaval pela Chapada Diamantina, na cidade de Lençóis (BA). Dentre os vários pacotes turísticos de que dispunhámos, um nos levava as cavernas momumentais e grutas maravilhosas, por que, realmente lá, nosso Deus foi muito generoso.
       Adiantando o causo, durante um desses passeios, estávamos numa Van, quando paramos em um restaurante, realizamos nosso lanche, eu e meus filhos, Caique, Cláudia e Camila, já que a esposa Marly nunca gostou dessas aventuras.
       Barriga cheia, papo legal e ao terminarmos o lanche, pedí a conta ao garçon, peguei uma nota de 10 reais e me dirigí ao caixa, só que no caminho, um colega de passeio, iniciou uma conversa comigo e eu à medida que conversava, amassava a nota e, amassando muito bem a nota fomos retornando para a Van para continuarmos o passeio.
       Antes que chegasse a Van, recebí uma cobrança do Dono da lanchonete, indagado que fui porque não havia pago a referida conta, então retruquei com o dialogo a seguir:
- Eu: Ué, eu não paguei a conta ?
- Dono: Não, senão não estaria cobrando.
- Eu: Mas eu peguei o dinheiro e fui pagar essa conta.
- Dono: Só que você não chegou lá pra pagar.
- Eu: Então o que é que eu fiz com o dinheiro que tava na minha mão?
- Colega: Não! Será que você jogou o dinheiro fora?
- Eu: Vamos tirar essa estória a limpo, eu fui pagar.
- Dono: Não, eu sei que foi, mas e o dinheiro?
       É claro, que toda essa conversa se deu na camaradagem, num bom nível, sendo o proprietário uma pessoa muito educada e gentil, à despeito de todo povo baiano, alegre e festeiro, tendo apenas que cobrar pois não estava alí para fazer caridades, principalmente, a turistas pobres, ou expertos, que deixam de pagar dez reais.
       Então fomos todos nós, crianças, eu, o Dono do restaurante, o colega, enquanto os outros já se irritavam aguardando na Van pra recomeçar o passeio. Andamos pelo caminho encimentado, ladeado por plantas, rosas, gramas e, após percorrermos mais ou menos uns trinta metros, quem nós encontramos senão a notinha de 10 reais, sozinha, desprezada, toda amassadinha, jogada entre as plantas.
       Aí, a algazarra foi geral, foi mais conversa jogada fora. Bom que acreditaram em mim e tive a oportunidade de limpar minha barra, pagar a conta, o Dono viu que eu era gente boa e finalizando o colega, rindo, disse:
- Colega: Hé hé hé, agora melhorou, só vou andar atrás de você, Paulo, para assegurar um melhor aproveitamento do lixo e contribuir com o meio ambiente, já que seu lixo é Dinheiro. Quem sabe não cai um de Cem.
 
Publicado no Recanto das Letras em 26/07/2008 Código do texto: T1098773

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