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Maceió, Alagoas, Brazil
Bancário, Escritor, Poeta, Administrador com MBA em Negócios em Financeiros, Pós-Graduado em Gestão de Instituições do Ensino Superior, Especializado em Diálogo, Capacitação SindRádio em Rádio-TV.e Militante do PCdoB.

Conferência Estadual de Alagoas traça os rumos para o PCdoB

Alagoas

Foi realizada neste sábado (10), a 16ª Conferência Estadual do PCdoB Alagoas, no Hotel Ouro Branco em Maceió, num auditório lotado, coroando o processo de reconstrução e revitalização partidária levado à frente no estado.
A 16ª Conferência Estadual do PCdoB-AL contou com a presença do deputado federal por São Paulo, Aldo Rebelo, representando a direção nacional do Partido, e com a participação de 110 delegados e convidados, num total de cerca de 130 presentes, dentre os quais importantes lideranças e expressivos membros da sociedade alagoana, retrato vivo da nova conformação do PCdoB em Alagoas.

Submetida ao plenário e aprovada a composição da mesa diretora dos trabalhos e das comissões eleitoral e de sistematização, a Conferência foi aberta pelo presidente estadual do PCdoB-AL, Eduardo Bomfim, que passou a palavra ao representante da direção nacional do Partido, deputado federal, ex-ministro da Coordenação Política da Presidência da República, ex-presidente da Câmara de Deputados e alagoano de Viçosa, Aldo Rebelo.

Aldo Rebelo saudou a Conferência realizada pelo PCdoB-AL e destacou o fato de o PCdoB ser um partido que luta pelo socialismo, citando os avanços que em pouco tempo se tornaram realidade para as populações com a revolução na União Soviética, com a revolução chinesa. Afirmou que o socialismo também sofreu derrotas, a mais grave delas o fim da URSS que era um colosso com influência em todo o mundo e desapareceu na noite para o dia, retalhada.



Com isso, afirma Aldo, os EUA surgiram como se vê hoje, uma potência agressiva, manipulando bandeiras caras à humanidade – direitos humanos, democracia e defesa do meio ambiente – em defesa de seus interesses, da garantia dos recursos minerais exigidos pelos processos industriais das grandes potências. Da mesma forma, no meio ambiente, transformar países em reservas de recursos naturais, usando da ação de organizações não governamentais.

Destacou que a queda da URSS causou confusão e foi lida como o fracasso do socialismo e bandeiras simpáticas, como o ambientalismo, serviram como rota de fuga para a juventude e setores da esquerda. Afirmou que um partido como o nosso exige uma grande responsabilidade de seus dirigentes, para não engrossar a fileira dos desiludidos, não deixando que se retire dessa luta a energia vital da juventude e de diversos setores da sociedade.

Falou ainda da grave crise econômica que vive o mundo, da ofensiva nos países da Europa contra os imigrantes, das guerras, como agora a partilha da Líbia, e os ataques às populações, com a morte sob os bombardeios e a sequelas, como no Vietnã em que até hoje nascem crianças com deformidades causadas pelo agente laranja que envenenou o solo onde se cultiva o arroz.



Afirmou que os EUA ainda são a maior potência econômica do mundo, onde o sistema financeiro recebeu bilhões de dólares do governo mas a crise continua enquanto os bancos hoje apresentam grandes lucros. Falou das revoltas nos países ricos, na Europa, cada vez mais parecidos conosco nas desigualdades. Afirmou: “Essa é a realidade da qual somos contemporâneos. Precisamos compreender qual é o caminho que o Brasil precisa trilhar para se tornar um país desenvolvido, independente”. Destacou que o Brasil se desenvolve ou as bandeiras sociais não se sustentam, porque para fazer frente à situação na saúde, educação, segurança etc., são necessários recursos.

Considera que é indispensável a união das forças políticas, dispersas em vários movimentos, cada um lutando por suas bandeiras. Afirmou que é preciso democracia, justiça social, soberania, um país forte e desenvolvido e que hoje, o centro dessa questão é a questão nacional: ou o Brasil se torna uma potência desenvolvida nos mais diversos campos ou será uma nação irrelevante, secundária, e que o Brasil precisa ser essa potência para ajudar a tornar o mundo melhor, que a América do Sul precisa de um Brasil forte e desenvolvido. Acrescentou que temos responsabilidades que outros países não têm, fronteiras com dez países, 200 milhões de habitantes, uma reponsabilidade irrenunciável frente ao mundo e ao continente. E que temos a responsabilidade de unir as forças capazes de conduzir essas transformações.

Aldo Rebelo concluiu afirmando que é preciso travar uma batalha de ideias para dotar o povo, nossa juventude, dessa consciência, que nenhum movimento ou região do país irá resolver isso sozinho, que é preciso o esforço e o concurso de todos, porque não há atalho para o Brasil superar as dificuldades em busca de seu pleno desenvolvimento. Conclamou que não nos deixemos confundir ou intimidar, contribuir para a sustentação do governo Dilma, trabalhando para que ela faça um bom governo, amplie as conquistas mas com consciência crítica de suas limitações.

Após a saudação e intervenção de Aldo Rebelo, foi composta a mesa, formada pelo jornalista Ênio Lins, o vereador por Maceió, Marcelo Malta, o reitor da Universidade do Estado de Alagoas, Jairo Campos, além de Aldo Rebelo, do presidente estadual do PCdoB, Eduardo Bomfim, e do membro da Comissão Estadual de Organização, Sinval Costa.

A proposta de Resolução Política à 16ª Conferência Estadual do PCdoB-AL

Em seguida, o presidente estadual do PCdoB-AL, Eduardo Bomfim, fez a leitura da proposta de Resolução Política à Conferência, com quatro eixos fundamentais: a batalha de ideias, um diagnóstico da realidade econômica e social de Alagoas, linhas para um novo projeto de desenvolvimento para Alagoas, o processo de construção partidária e o projeto eleitoral para 2012, centro da tática atual do PCdoB no estado.



O diagnóstico da realidade econômica e social de Alagoas

Eduardo Bomfim apresentou um diagnóstico do quadro econômico e social de Alagoas, estado com indicadores sociais que são os mais baixos do Brasil. Os altos percentuais de 62% da população na linha de pobreza, mais de 50% tendo de receber assistência do programa Bolsa Família, uma renda per capita 20% menor que a nordestina e de apenas 40% da renda per capita nacional.

Destacou a grande concentração de renda no estado, em que dos 1.133.203 alagoanos que compõem a população economicamente ativa, uma parcela irrisória, 5%, ganham mais de 5 salários mínimos e um uma grande parte, 48%, recebem até 1 salário mínimo ou mesmo não têm renda permanente (22%). Os péssimos índices educacionais de Alagoas revelam que, conforme dados de 2005, 24% da população economicamente ativa é de analfabetos e 45% têm só o ensino fundamental completo ou incompleto.

Em relação ao setor produtivo, foi apontada a existência de um pequeno parque industrial, uma agricultura com poucos setores com efetivo dinamismo, ausência na área rural de um universo de pequenas unidades produtivas com acesso ao crédito, assistência técnica e incentivo à comercialização, comércio e serviços na sua grande maioria baseados na economia informal.

A estrutura fundiária de Alagoas é marcada por um grande número de pequenos estabelecimentos, 108 mil (82% do total de estabelecimentos), com menos de 10 hectares, correspondentes a apenas 11% da área agrícola do estado, e 5% dos estabelecimentos, 8 mil, maiores de 100 hectares mas com 62% da área agrícola.

Aponta a pobreza e falta de dinamismo na economia alagoana como consequência desse quadro, destacando o enorme salto da população urbana, fundamentalmente pela migração das áreas rurais, agravando os problemas da urbanização e, no caso de Maceió, o surgimento de quase 300 favelas ou outros tipos de aglomerados urbanos na periferia da cidade, com uma população que sobrevive de atividades irregulares e temporárias.

Em resumo, são apontados três fatores fundamentais como razão para esse quadro: a) ausência de um amplo mercado interno, decorrente de uma economia que atenda à demanda regional, que aumente e distribua a renda, procurando incorporar a maioria da população no processo de produção; b) insuficiência de polos produtivos dinâmicos capazes de substituir em maior número possível as importações e realizar exportações para outros estados e para o exterior, promovendo o crescimento regional; c) falta de capacidade de investimento do setor público do Estado e dos municípios.

Destacou a falta de capacidade de investimentos, em especial do Estado alagoano, que passa por dificuldades graves que praticamente o impossibilitam de promover uma estratégia própria de desenvolvimento. Aponta ainda a origem dessas dificuldades: a crise fiscal brasileira nos anos 80, com a diminuição da transferência de recursos da União para os Estados e a crise provocada pelo setor sucroalcooleiro em decorrência da desaceleração do Proálcool também na mesma década do século passado.



Apontou que, com a crescente dificuldade de financiamento, o setor sucroalcooleiro foi buscar na estrutura do governo estadual a complementação de recursos que vinham do governo federal, o que acarretou na própria crise do aparelho estatal. A inadimplência do setor com a companhia energética e com o banco do Estado foi coroada com um acordo fiscal assinado em 1989 que transferiu do Estado para o setor sucroalcooleiro alagoano 1,5 bilhão de reais.

Destacou que, desta forma, nos anos 90 o Estado alagoano esgotou sua capacidade de investimentos e viu-se numa condição falimentar, numa situação de crise que o levou a assinar um acordo com a Secretaria do Tesouro Nacional, o Programa de Apoio à Reestruturação e ao Ajuste Fiscal, que exigiu medidas austeras como cortes nos gastos com funcionalismo, reformas administrativas, venda de patrimônio etc. A dívida do Estado continuou a crescer, mais de 300%, sendo o pagamento de serviços dessa dívida maior que todo o gasto com custeio e investimentos. Em função do acordo, o Estado vem desembolsando, desde a sua celebração e durante 30 anos, 15% de sua receita líquida. Aponta que a dívida do Estado, em julho/2011 já atingiu 7,7, bilhões de reais.

Em função desse quadro, afirma que a presença do governo federal em Alagoas, na vida da sociedade e da economia alagoanas, é muito forte. Informa que o Estado arrecada 1,2 bilhão de ICMS ao ano, insuficiente para pagar sua folha de pagamento. Por outro lado, a Previdência Social, o Bolsa Família e o Programa de Erradicação do Trabalho Infantil injetam na economia alagoana 2 bilhões (só a Previdência Social) e 27,3 milhões, beneficiando cerca de dois milhões de pessoas. Em 2007, os recursos oriundos do governo federal, através desses programas, mais os gastos em políticas sociais permanentes, como educação, saúde e as transferências regulares para o Estado e os municípios, ultrapassaram 4 bilhões de reais, mais os 2 bilhões da Previdência Social, representando no total mais de 40% do produto interno bruto do Estado de Alagoas.

Destaca que, sem o governo federal, Alagoas estaria praticamente inviabilizada, sem falar no caos geral e a dimensão do que seriam as tensões sociais, a violência e a criminalidade que hoje já estão acima da média nacional. Bomfim aponta que esta “federalização” da economia alagoana é que tem permitido um crescimento relativo de Alagoas apesar de muito inferior aos demais estados nordestinos.

Bomfim enfatiza que esse quadro acarretou um tipo de cultura política hegemônica no Estado. Onde mais vale a capacidade de negociar todo o tipo de ajuda oriunda dos ministérios em Brasília, para os municípios e o Estado, dada a extrema dependência das políticas públicas do Estado Nacional. Segundo Bomfim, isso tem provocado o rebaixamento das discussões sobre as orientações econômicas para as soluções de Alagoas. Bomfim destaca que, dessa forma, o pragmatismo político atingiu em Alagoas dimensões mais elevadas e intensificou as tendências ao clientelismo mais elementar, ao contrário de auxiliar na modernização das práticas e das relações políticas.

As linhas para um novo projeto de desenvolvimento para Alagoas

Eduardo Bomfim afirmou que as alternativas para Alagoas implicam na associação direta com os rumos do Governo federal. Na permanência da atual orientação do governo da presidente Dilma com avanços para uma nova estratégia nacional de desenvolvimento do País, mais avançada nos planos econômico e das políticas de desenvolvimento e inclusão dos amplos segmentos dos trabalhadores na vida da nação, reduzindo as taxas de juros, fortalecendo o mercado interno, e investindo pesadamente na infraestrutura das regiões e de Alagoas.



Apresenta a proposta de construção de um Novo Projeto Regional de Desenvolvimento para Alagoas, considerando suas vocações econômicas tradicionais, mas apostando em novas possibilidades de caráter estrutural que efetivamente diversifiquem as alternativas para a industrialização na região, que proponha novas possibilidades de integração econômica de Alagoas com a economia nacional e principalmente encontre identidades e parcerias com os emergentes polos nordestinos.

Que apresente ao governo federal alternativas negociadas à dívida estadual que sufoca Alagoas, cujas proposições deverão ser de cunho econômico, técnico, mas principalmente de caráter político.

Que desenvolva estratégias emergenciais, com base em um planejamento factível e realizável, com vistas à superação das gravíssimas e agudas crises nas áreas de saúde, educação e segurança.

Que elabore um projeto, com etapas definidas, para as dezenas de milhares de pequenos e médios agricultores alagoanos, com custeio, investimento e assistência explicitados, formatação de escoamento da produção, além de construção das condições para a viabilização do mercado interno.

Que defina uma linha de projetos, em parceria com o governo federal, visando à erradicação das favelas em todos os municípios alagoanos e especialmente das 300 favelas de Maceió.

Que proponha estratégias de fortalecimento do turismo em Alagoas tendo como base a construção da infraestrutura necessária, em especial, mão de obra, saneamento, estradas, recuperação e defesa do meio ambiente que está degradado.

Bomfim destaca que esses objetivos não são possíveis de serem alcançados sem a constituição de uma ampla frente política que envolva uma aliança entre diferentes forças políticas do Estado que tenham em comum o interesse de construir uma alternativa para Alagoas que esteja baseada nesses e outros objetivos fundamentais a médio e longo prazos.
Que possuam em comum a visão do papel do Estado nacional na economia alagoana e, evidente, o entendimento de que é fundamental a continuidade e aperfeiçoamento do atual projeto de desenvolvimento brasileiro iniciado no dois governos Lula e agora com a presidente Dilma. O que implica no esforço de aglutinação das forças políticas e econômicas com identidade em linhas de desenvolvimento e decidida participação do Estado regional, persistentes políticas de inclusão social, combinadas com estratégias econômicas de planejamento suficientemente definidas tendo como meta fundamental o soerguimento de Alagoas.

E que também incorpore o PCdoB como força viva e atuante junto a esse objetivo de caráter fundamental para Alagoas na presente etapa da vida do Estado, compartilhando nas esferas política, administrativa, no plano das ideias realizáveis, na aglutinação de vastos setores sociais, da intelectualidade alagoana, nas relações consequentes com o governo federal, contribuindo em parcerias com o necessário somatório de agentes políticos para a consecução desse projeto.

A batalha de ideias

Bomfim destaca que os comunistas apresentam essas alternativas ao quadro atual, conscientes de que a solução maior desses graves problemas que afetam a grande maioria dos alagoanos não surgirá fora dos marcos de um avançado e Novo Projeto Nacional de Desenvolvimento para o Brasil, que construa efetivamente as possibilidades de uma transição para um novo sistema econômico socialista compatível com as características do País, dos trabalhadores, da identidade cultural do povo brasileiro, sempre reafirmando que esse projeto só será possível se as condições de plena soberania territorial e política da nação estejam asseguradas. Sem a qual será impossível transitarmos a novos e mais elevados patamares do nosso processo histórico de civilização.



Afirma que cabe ao Partido em Alagoas o conhecimento e o domínio dessa realidade regional específica e apresentar alternativas concretas para a superação dos seus graves problemas estruturais e que é exatamente por essa razão que os comunistas apresentam essas propostas, convencidos de que só será possível combater as péssimas condições sociais em que vive a grande maioria da população alagoana se conseguirem criar a união necessária em torno de um amplo campo político sinceramente desejoso de construir uma nova etapa econômica e social para Alagoas.

O que implica no combate lúcido às correntes conservadoras do Estado que exercem o atual poder político com a eleição do governador Teotônio Vilela Filho - PSDB, DEM, PSB, PPS etc, que se beneficiam da continuidade dessa realidade extremante adversa às maiorias alagoanas. Assim, as precondições para a constituição dessa ampla frente baseiam-se na vontade concreta de participação nesse projeto avançado para Alagoas.

Destaca que o PCdoB está consciente de que para a consecução dessa linha política em Alagoas é fundamental travar a luta de ideias em torno dos caminhos do desenvolvimento econômico, das melhores estratégias visando à inclusão social, além do conhecimento científico da realidade regional, reiterando que isso implica na necessidade da construção de um novo e avançado Projeto de Desenvolvimento para Alagoas, nos planos econômico, social e político.

Enfatiza que os comunistas alagoanos precisam não perder de vista a luta maior contra o imperialismo em especial o norte-americano, a atualidade da permanente batalha pela integridade e pela soberania da nação sempre associada às plenas condições do desenvolvimento econômico e social brasileiro.

Bomfim defende que só será possível o desenvolvimento nacional com a reversão das graves distorções sociais, se tivermos efetivamente uma economia avançada, no campo e na cidade, com investimentos na ciência e tecnologia, diversificação industrial, e uma clara estratégia da defesa da soberania brasileira. Uma economia forte, uma consciência popular avançada e uma nação democrática com uma sociedade consciente da defesa da integridade soberana do País.

Denunciou a nova ordem mundial capitalista, o papel da grande mídia hegemônica internacional e nacional como verdadeiros monopólios de informação e difusão ideológica, que buscam a imobilização do povo brasileiro na consecução dos seus objetivos de emancipação nacional e social.

Bomfim enfatizou mais uma vez a atualidade da gigantesca e estratégica luta de ideias, a importância da formação militante, a difusão da teoria marxista como um pilar central dos objetivos programáticos de transformação da sociedade alagoana e brasileira. Afirmou que o PCdoB em Alagoas precisa assumir como um objetivo de primeira grandeza a constituição dos centros de formação de estudo da realidade alagoana e brasileira, em seus mais amplos aspectos, associados à Fundação Maurício Grabois. O que implica em atrair, em flexível aliança, para o campo das ideias marxistas e do PCdoB a intelectualidade progressista alagoana.

Lembra que já se disse que a teoria é a análise concreta da realidade concreta. Mas para isso é fundamental o domínio dessa mesma realidade além do esforço para a compreensão da teoria marxista. A experiência, a sensibilidade na atividade política têm insuficiente valor se não estiverem associadas a esses pressupostos e as possíveis vitórias serão efêmeras, passageiras.



O processo de construção partidária e o projeto eleitoral para 2012, centro da tática atual do PCdoB no estado

Bomfim afirma que o PCdoB nessa nova etapa de revigoramento ideológico e organizativo partidário, do aumento da sua inserção na realidade alagoana, necessita dominar as complexas relações que existem no mundo da grande política do Estado. Que por sua vez correspondem aos diversos interesses de classes no contexto regional. Precisa considerar o nível concreto de compreensão da sociedade para definir a sua ação política, ao mesmo tempo travando a luta de ideias e não rebaixar a sua ação e os seus objetivos estratégicos e táticos.

Destaca que o conhecimento dessa realidade regional associado às linhas gerais da luta política nacional, ao projeto nacional do PCdoB, ao acompanhamento dos grandes movimentos da luta política nacional é que possibilitará aos comunistas alagoanos uma melhor capacidade de intervenção no Estado. Ao lado da ação na grande política é fundamental a associação com a luta dos trabalhadores, da juventude, das mulheres e as suas organizações de massas mais expressivas, sempre se esforçando na elevação do nível de consciência dessas massas. Assim, o movimento estudantil com a sua grande tradição de lutas, tanto universitário como secundarista, com a UNE e a UBES, o movimento sindical no campo e na cidade, com a CTB, e a construção de uma grande organização das mulheres alagoanas, a UBM, devem ser alvos prioritários da atividade dos comunistas. A divulgação do programa socialista do PCdoB deve ser intensificada, de maneira viva sempre ligada às condições de vida da população alagoana.

Enfatizou que os comunistas devem continuar com os atuais e vitoriosos esforços na construção do Partido no Estado, sempre ampliando os seus fóruns por áreas, as suas organizações populares nos bairros dos municípios, na organização das bases do Partido na juventude, assim como o fortalecimento da UJS.

Bomfim afirmou que o projeto eleitoral dos comunistas para 2012 é de certa maneira um desenvolvimento da tática eleitoral de 2010, quando se iniciou a construção de uma ampla frente política em torno da candidatura a governador de Ronaldo Lessa (PDT) e das candidaturas ao Senado de Renan Calheiros (PMDB) e Eduardo Bomfim (PCdoB), formando assim o núcleo majoritário da frente de oposição ao Governo do Estado composta pelo PMDB, PT, PDT, PCdoB além de outras legendas.

Acrescentou que, ao que tudo indica, a tendência nas próximas eleições será a da manutenção dessa frente às eleições municipais e a incorporação em Maceió do prefeito Cícero Almeida (PP). Afirmou que a experiência demonstra que nos pleitos municipais as características de cada lugar tendem a uma certa pulverização das composições entre os partidos de acordo com as disputas políticas e eleitorais de cada município e que não se deve considerar de maneira rígida o arco de alianças principal porque há o risco de incorrer em uma compreensão incorreta dos diferentes panoramas políticos que se formam nos municípios. O Partido e sua direção estadual precisam dominar o complexo e rico cenário que há nos mais diversos municípios alagoanos, acompanhar com a justa flexibilidade as realidades diferenciadas onde o PCdoB irá disputar as eleições, ajudando as direções municipais às melhores composições tanto do ponto de vista político quanto eleitoral.

Afirmou que o PCdoB irá apresentar candidaturas a vereador em dezessete municípios num total de cerca 200 candidatos. Em dez desses municípios apresentará chapa completa a vereador. Lançará um candidato a prefeito, a reeleição do companheiro Titor à prefeitura de Satuba e também a reeleição do companheiro Petrúcio à vice-prefeitura do município de Marechal Deodoro.

Afirmou ainda que o PCdoB necessita imperiosamente aumentar o número dos seus vereadores e prefeitos em Alagoas na batalha eleitoral de 2012 e acumular forças para as disputas maiores de 2014, se desejar realmente intervir como protagonista de primeira grandeza no complexo cenário estadual, com as propostas de mudanças, o seu projeto alternativo às dificuldades econômicas e sociais do Estado de Alagoas. Deu particular destaque, pela sua importância, à campanha à Câmara de vereadores de Maceió onde já temos a presença do camarada Marcelo Malta como representante das posições comunistas junto à população de Maceió. Indicou o grande desafio do projeto eleitoral de construir uma bancada na capital do Estado. A influência das nossas posições junto ao povo alagoano depende substancialmente do papel de protagonista de primeira grandeza em Maceió. Exatamente por isso a ousadia de construção de uma chapa própria para as eleições de vereador em 2012.

Destacou ainda a construção do partido no município de Arapiraca, a segunda maior cidade de Alagoas que aumenta dia a dia a sua importância populacional, econômica, política e social como um grande centro agrícola e comercial, que cresce e se dinamiza em surpreendente velocidade, transformando-se atualmente no grande vetor de desenvolvimento regional. Afirmou que o PCdoB precisa urgentemente continuar avançando em seu projeto de construção do partido em Arapiraca e em um esforço auxiliar à nossa realidade atual nesse município, ousar um projeto eleitoral factível, lançando, em coligação bem trabalhada, um candidato com a visibilidade e alguma representatividade que a dimensão do município exige. Enfatizou a urgência de um representante da legenda comunista na Câmara de vereadores de Arapiraca.



Os debates e o Informe de Organização

Em seguida foram abertas as inscrições, e feita a leitura do Informe de Organização pelo membro da Comissão Executiva Estadual de Organização, Sinval Costa.

Sinval afirmou que nesse processo de conferências, a direção estadual aprovou duas grandes linhas de ação. A primeira, a reorganização e renovação da direção do partido em mais de trinta Comitês Municipais, analisados caso a caso. A segunda importante decisão foi a não renovação de comissões provisórias vencidas, considerando-se a falta de sintonia da direção do partido nesses municípios com os objetivos político-partidários do PCdoB-AL.

Afirmou que o Partido está preparado para ser maior e mais atuante em Alagoas. Foram percorridos vários municípios nesse processo de conferências, reorganizados vários Comitês Municipais e eleitas novas direções do partido, acrescentando que nas Conferências, na construção e renovação das direções é que vem sendo definido o projeto político e partidário. Assegurou que será dada continuidade ao processo de construção partidária, pelo acompanhamento aos comitês municipais criados, pelo projeto de formação de quadros e militantes, pela maior inserção do Partido nas frentes de massa.

Destacou o cumprimento às Resoluções do 7º Encontro Nacional sobre Questões de Partido e do 4º Encontro Sindical Nacional, reafirmou o Estatuto do PCdoB como principal ferramenta de trabalho assim como o Programa Socialista para o Brasil, e pontuou as diretrizes para o projeto político eleitoral 2012 do PCdoB em Alagoas.



Os delegados em suas intervenções aprofundaram determinados pontos da Resolução Política proposta à Conferência, como o caso de Givanildo Ferreira, Secretário de Organização do PCdoB no Pilar, que falou a respeito da crise que atingiu o setor sucroalcooleiro de Alagoas, no período dos anos 80-90, com o fechamento de usinas, migração para as cidades de grandes contingentes de trabalhadores, desempregados, com a criação e agravamento de problemas nas cidades alagoanas.

Também Genival Cardoso, Secretário de Organização do PCdoB em São Miguel dos Campos, que atua no movimento sindical rural da região, destacou outro problema, da mecanização acelerada no cultivo e colheita da cana-de-açúcar em Alagoas, reduzindo em proporções muito sérias os empregos dos trabalhadores rurais empregados na agroindústria do açúcar e do álcool no Estado, apontando a necessidade do PCdoB se debruçar sobre esse assunto.



Cláudia Petuba, diretora da UNE e membro da direção municipal do PCdoB de Maceió, parabenizou a Conferência vitoriosa, nesse momento de construção do Partido e saudou o projeto de Resolução Política, ressaltando a importância do conhecimento da realidade do Estado e dos Municípios, principalmente pelos que se propõem às candidaturas nas próximas eleições.

Luciano Rezende, dirigente do PCdoB em Piranhas, a respeito da educação, disse que apesar dos pesados investimentos feitos pelo governo federal, com a expansão da universidade e das escolas técnicas pelo interior do Estado, os responsáveis pelos municípios não dão qualquer apoio ao projeto e aos estudantes.

Mirelly Câmara, presidente do Comitê Municipal de Maceió, destacou a importância do Programa Socialista para o Brasil do PCdoB, sua discussão e divulgação, na construção do Partido e enfrentamento das tentativas de intimidação ou cooptação pelas forças conservadoras no Estado.



Destacamos a intervenção de Ênio Lins, jornalista, ex-membro do Comitê Central, ex-vereador em Maceió, ex-secretário municipal e estadual de Cultura em Maceió e Alagoas, e ex-diretor da Rádio e TV Educativa no Estado, que passará a assumir a direção da Fundação Maurício Grabois em Alagoas, que enfatizou a importância do estudo da realidade alagoana e brasileira.

O Reitor da Universidade do Estado de Alagoas – UNEAL, Jairo Campos, vice-presidente do PCdoB de Arapiraca, ingressou no Partido há pouco, mas o fato já ganhou destaque na imprensa local. Afirmou que mesmo com a expansão da universidade pública pelos municípios alagoanos, e a criação de um sem número de faculdades privadas, ainda é ínfima a participação dos que têm acesso ao ensino superior no Estado.

Dentre várias outras intervenções, o Secretário Estadual de Finanças, Robson Câmara apresentou o Informe de Finanças para o PCdoB em Alagoas que, de um ponto de vista histórico, relatou a importância da sustentação financeira do Partido, suas atividades e lutas. Afirmou que nas condições atuais de exercício da política, essa passou a ser uma atividade muito cara, sustentada por grandes grupos econômicos que financiam a atividade dos partidos que defendem nas varias instâncias políticas os seus interesses. O que não é o caso do PCdoB.

Robson Câmara enfatizou que o PCdoB ampliou bastante sua presença na sociedade brasileira, tem sido uma força destacada na luta dos interesses nacionais e populares, tem desempenhado importante papel na construção de uma prática política ética e consequente. Mas muito do que o PCdoB faz não chega ao conhecimento do grande público e que um elemento importante para a superação dessa debilidade é a ampliação, em muito, das receitas financeiras para com isso haver condições de incremento da atividade do Partido. Frisou que para isso o elemento essencial é a contribuição financeira regular, constante, por parte dos militantes e amigos e todas as pessoas dignas que buscam um novo rumo para nosso país.



Discutida e aprovada por unanimidade a Resolução Política proposta à 16ª Conferência Estadual do PCdoB-AL, a comissão eleitoral apresentou o novo Comitê Estadual, cuja composição reflete a renovação do Partido em Alagoas, com a incorporação de novos dirigentes municipais, que trazem para a nova direção estadual a expressão de diferentes setores sociais, com a ampliação da participação dos trabalhadores, em especial com a incorporação dos presidentes dos Sindicatos dos Trabalhadores Rurais de São Miguel dos Campos, Josefa Soares, e de Colônia Leopoldina, Benedito Adelmo, dentre outros trabalhadores.

Além da eleição da nova direção estadual, a Conferência aprovou a indicação de permanência de Eduardo Bomfim na presidência do PCdoB-AL, e foram apresentados os demais membros da nova Comissão Política proposta: Alba Correia, Carlos Muller, Cláudia Petuba, Edvaldo Nascimento, Gerivaldo Pontes, Lindinaldo Freitas, Marcelo Malta, Maria Yvone Loureiro, Mirelly Câmara, Robson Câmara, Selma Villela e Sinval Costa. Foi ainda apresentada a proposta da primeira vice-presidência do PCdoB em Alagoas ser ocupada por Marcelo Malta e a segunda vice-presidência por Cláudia Petuba, que deverão ser referendados na primeira reunião do novo Comitê Estadual.

Para ler a íntegra da Resolução Política e do Informe de Organização aprovados pela Conferência, além dos comentários do Secretário Nacional de Organização, Walter Sorrentino, acerca do trabalho realizado pelo PCdoB em Alagoas, neste processo de realização das Conferências, veja em:

http://www.portaldaorganização.org.br/?p=8263

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